quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Natalinos

Já diz uma canção, que muito cantarolei, que toda promessa passa pelo teste do tempo. Só temos que saber esperar. E confiar. Confiar. Confiar.
O Natal é assim. É o cumprimento de uma linda promessa de Deus. O nascimento de Jesus não só configura a vinda da personalidade mais emblemática da humanidade como de tudo o que Ele trouxe consigo.
Não ouso aqui datar o nascimento de Cristo. Teólogos se debatem para comprovar se foi em dezembro ou em abril, devido às condições climáticas e tantos outros sinais.
Sinceridade? Pouco me importa a data. Importa-me o que Ele veio e, naquela manjedoura, começou a trilhar novos e diferentes caminhos, não só para si, mas para mim e para todos nós.
A religião não tem como limitar o Natalino. Independentemente do credo, ou se não há credo algum, o Espírito Natalino contagia o mundo inteiro.
É nesta época que nos empenhamos para estar em família, a arrumar a casa, a trocar presentes, a perdoar contendas do ano inteiro, a nos abraçarmos e a expressarmos mais compaixão.
E a humildade do menino de José e Maria? Suas lições de renúncia, de empatia e de amor incondicional ressoam em todo o mundo, simplesmente porque Ele passou por aqui.
Foi um rei entre os pobres. Um mestre entre os indoutos. Acolheu quem não o aceitava. Generoso, ensinou que mais vale servir do que ser servido. Sensível, ensinou que é bom sempre considerar o próximo superior a nós mesmos. Apaixonado, morreu por amar demais.
E o que o Espírito Natalino é? Muito. Muito mais do que diferentes convicções podem ser. É unânime. É perfumado. Traz paz. Irradia luz. Dá cor aos nossos dias tão sombrios.
Que bom é ter esse tempo para consertar tantas coisas que ficaram perdidas durante o ano. Não importa se é só agora. Importa-nos é sermos como Ele, Natalinos.
"Porque um menino nos nasceu. E Ele será chamado Maravilhoso, Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz". (Isaías 9.6)
Feliz Natal! Feliz Natal! Feliz Natal!

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

"Quem faz tudo, não faz nada"

Uma professora me disse isso, referindo-se a pessoas que são ativas, dizem sim, abraçam atividades e que adoram ajudar todo mundo. Logo pensei o quanto tanta disposição é legal. Afinal, há tanta gente que nunca pode fazer nada. Poder contar com quem logo levanta a mão e vai é ótimo. Só que não!


Demorou uns dias (tá, eu tenho um atraso para entender indiretas) para eu perceber que aquela querida mestra referia-se a mim também. Gentilmente e com sutileza, quis aconselhar-me ou, fazer-me entender que não havia condições humanas para fazer tudo o que eu me comprometia a cumprir. Basta perguntarem: "Alguém pode?" Lá estava eu com o braço levantado pronta e feliz em executar mais uma missão.

Não é segredo para ninguém o quanto preciso de mentoreamento. Se me deixarem por conta, a coisa fica difícil de controlar. Apaixonada, intensa e proativa, quero resolver o mundo e algumas vezes (confesso) a vida alheia. Conselhos, exemplos, ações que podem fazer bem para outros são fichinha na minha agenda emocional.

Mas falemos disso outro dia. Talvez amanhã. Cá estou eu misturando as estações. E quem escreve a respeito de tudo, deixa a mensagem vazia, confusa e no ar.

Então! Vamos lá! Pego roupas para dobrar, mas logo quero pintar a unha (o que não combina muito, né?) Convenhamos. Então, deixo a roupa para quando a unha secar e saio sem a roupa dobrada e com a unha sem esmalte.

Desde que comecei o texto, já fiz chimarrão, levei o cachorro para passear e cortei fruta. (Socorro!)

Ontem me inscrevi em um curso online e estou escolhendo a segunda graduação. Não terminei a primeira pós, falta o artigo final, e já estou de olho na próxima. Cá fujo do assunto de novo.

Conciliar trabalho, estudo, casa, amigos e família não é uma tarefa incomun. Todo mundo passa por isso e passa muito bem, obrigado. O problema é não acabar uma atividade, não concluir e fazer buracos na água.

O nocivo é estar em ação o tempo todo sem concluir tarefa alguma. É ter vários assuntos "meio" resolvidos. Metade da roupa dobrada, metade da unha feita, almoço quase pronto, orações sem profundidade, conversas sem concluir, correria.

Também já fui em duas festas na mesma noite. Um pouco em cada para não descontentar ninguém. Resultado? Não aproveitei nenhuma, cansei e não desfrutei da companhia de nenhuma dos anfitriões.

Não falo de irresponsabilidade. Falo de correria, de metades, de falta de prioridade. Não é deixar trabalho sem concluir, mas deixar pequenas coisas começadas, com saudades de mim.

Depois da conversa com aquela professora, já melhorei bastante. No trabalho também aprendi que se não dou conta, é só avisar. Pedir ajuda e dizer não consigo fazer sozinho é sinal de humildade, ou melhor, de humildade. Aliás, onde trabalho é comum oferecer ajuda e pedir socorro quando a coisa tá apertada. Muito bom! Libertador!

Para encerrar. Humildade e orgulho anda bem pertinho um do outro, tá? A "humildade" em querer abraçar tudo pode ser um sinal de necessidade de aceitação. Em contrapartida, não assumir que não pode ou que não consegue é orgulho. É soberba. E nem sempre ser herói do cotidiano é sinal de vida.

Luisa Neves entrelivrosechimarrão

"Seja a vossa moderação conhecida de todos. Perto está o Senhor". Filipenses 4.5










quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Apagar e fazer de novo. Por que não?


A gente aprende cedo que desistir é feio. Que não se pode retroceder. Desistir é covardia. Aconteça o que acontecer na caminhada, não se pode parar. Pois bem. Se perguntarmos aqui o que faríamos se pudéssemos voltar um pouco no tempo e reviver situações antigas, o que faríamos? 

O que hoje diríamos diante de situações nas quais poderíamos ter feito diferente? Será que aproveitaríamos melhor viagens, passeios e a companhia das pessoas que estão longe ou que já se foram?

Pois é. Poderíamos falar muito a esse respeito. Teríamos lindas e poderosas reflexões que nos fariam crescer e olhar as situações de hoje de maneira diferente. Mas quero deter-me em outro ponto. Já que não podemos voltar no tempo, tampouco atrasar o relógio, não podemos desistir de algumas coisas hoje mesmo e fazê-las diferente? Pelo menos algumas? Uma pequena dose de covardia, ou melhor, de coragem para voltar atrás, pode ser um alívio mais adiante.


Não é segredo para ninguém o quanto não sou adepta dos cálculos e das exatas. Mesmo assim, tenho a Matemática como uma professora de vida. Afinal, sei bem o quanto apagar um cálculo que está dando errado é necessário para poder acertar no final. A gente apaga, apaga, apaga e faz tudo de novo. Ou seja, a conta tem que fechar. Não tem jeito.

Só que nas situações da vida (que são inexatas, diga-se de passagem), a gente insiste, entrega a conta feita e depois só tem que lidar com as consequências. Só que neste caso, a reprovação pode ser dolorida. 

Tá. Eu também digo que não vou desistir, que a vitória vem depois da luta, que precisamos persistir porque tudo se ajeita. Só que hoje, especificamente neste manhã, abri um livro que elucidou esta questão para mim.

"Todos nós desejamos progredir. Mas o progresso significa chegar mais perto de onde você deseja estar, contudo, se você tomou um atalho errado, então seguir em frente não vai levá-lo mais perto. Se você estiver no caminho errado, o progresso significará dar meia volta e retornar ao caminho certo; e nesse caso, a pessoa que voltar atrás mais rápido também será a mais progressista". C. S. Lewis, no Cristianismo Puro e Simples, p. 59-60


Então... Se há sofrimento, decepções e mais dor do que edificação, pode ser uma sinal de que precisamos encontrar uma maneira de voltar e recomeçar. Pode ser um sinal errado. O tal do mais (+) com o menos (-), um número, um detalhe apenas. Que tal hoje, apagar e escrever tudo de novo?

Olha só. Só não pode retroceder da fé. Por que sem essa, a reprovação é certa e a vida perde o sentido.

 "Mas o justo viverá pela fé! Contudo, se retroceder, minha alma não se agradará dele". (Hebreus 10.38) 😉

Luisa Neves, entre livros e chimarrão

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Se compreender melhor o caminho que me irrita, vou trocar de rua antes de me deparar com o contragosto


É incrível... tá, é crível mesmo, o tempo em que gastamos para aprendermos a nos relacionar com outras pessoas. Procuramos em outras pessoas amigos e colegas compatíveis. Alguns por terem as mesmas preferências, faixa etária e assuntos em comum. Há também as ligações que se dão justamente pelas diferenças. Assim, ajustamo-nos como peças de quebra-cabeças e até nos divertimos com os extremos. Minha amiga adora cozinhar. Eu escrever. Saio de casa só para experimentar um sushi. Minha amiga é louca por cachorro quente.

O assunto está bom, mas não é sobre isso que quero escrever.


Minha intenção nessa manhã gelada, 9º no Sul do Brasil, é discorrer sobre a necessidade de nos relacionarmos com a pessoinha que a gente vê no espelho todos os dias. O fato é meus amigos que enquanto não compreendermos nossas verdadeiras e, muitaaaas vezes, escondidas intenções, será demasiado difícil conhecermos os outros.

É verdade que procuramos relacionamentos que nos preencham lacunas. Não venha dizer que não tem expectativa com os outros porque não vou acreditar. Não vou mesmo. Pode até ser nossas vidas não transcorram de acordo com as reações alheias. Entretanto, esperamos respostas o tempo todo, sejam elas com esperança ou já prevendo que o indesejável pode acontecer. Mas, quase tudo transcorre na vida de acordo com a reação de quem convive conosco.

Assumo aqui minha dependência de amigos, colegas e familiares. Gosto que me ouçam, gosto de ouvir. Gosto de agradar, estender a mão e espero um carinhoso "oi, Lu, que saudade". No entanto, tenho aprendido (e ainda falta muito) que preciso me conhecer, saber do que mais gosto, evitar o que me irrita e tentar medir e prever minhas reações.

Se eu me conhecer, não vou sujeitar aos que convivem comigo aos meus rompantes, momentos de chateações, desabafos amargos e críticas constantes. Se eu realmente saber o que quero, não estarei de mau humor por estar diante de alguém ou situação, correndo o risco de estragar a festa do outro (preciso falar a respeito disso em outro post).

Se realmente souber como vou reagir diante de um presente, posso ajudar quem vai me oferecer um mimo. Se compreender melhor o caminho que me irrita, vou trocar de rua antes de me deparar com o contragosto.


De nada adianta livros sobre as trocentas dicas de relacionamento se eu não conhecer a principal pessoa que pode colocar tudo a perder a qualquer momento: euzinha.

O autoconhecimento pode ser doloroso. Podemos nos deparar com uma pessoa arrogante, egoísta e chata. Mas, há ventos bons aqui. Pode ser que estejamos de frente do melhor de nós que esta escondido por autodefesa, decepção e medo.

Relacionar-se com o outro vai depender muito, mas muito mesmo, do nosso autoconhecimento. Não está bem? Diga não! Não vá a festa. Faça terapia. Busque a Deus. Faça uma oração. Envolva-se consigo. Faça as unhas. Coloque um tênis, vá correr. Corra muito. Dance na sala. Sozinho. Cuide das plantas. Deite e coloque os pés na parede.

Só depois de tudo isso, saia de casa e seja um bom relacionamento para outros. Ninguém. Ninguém mesmo pode ser refém das nossas mazelas. Adocemos-nos para não azedarmos o outro.

E vamos que vamos!

"Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida". Provérbios 14.23


Luisa Neves, jornalista, dependente de Deus, tentando ser uma pessoa melhor


sexta-feira, 11 de maio de 2018

Eu, outono!


Todo mundo sabe da minha quedinha pelo frio e, por incrível que pareça, pelos dias chuvosos. Há uma beleza nestes dias que muitos, seduzidos pelos raios de sol, não conseguem enxergar. Tá bem que o sol é o sol. Não há o que se discutir. Insisto, porém, em atentar para as outras belezas, como de uma folha caída e uma árvore que parece estar pensativa, com ares de retrospectiva e amadurecimento, grata por sobreviver a raios tão lindos, mas intensos a ponto de deixar queimaduras e marcas de ressecamento. Pois bem...

O outono, diga-se de passagem anda um tanto que inconstante ultimamente. Uma hora é sol, outra é chuva, insiste em não esfriar, mas quando o faz é extremista, radical, exageradinho... Já que é para esfriar, pronto. Que seja de verdade, então. Procuramos casaco, enchemos a cama de cobertas e compramos botas novas. No outro dia, nossa estação bipolar prega-nos uma peça: 32º em pleno abril ou maio.

O outono é assim. Empolga-se rápido. Faz planos, estabelece metas, comemora o dia feliz, ri de qualquer coisa. Mas, por dentro, ele sabe a que veio. Precisa provocar amadurecimento nas frutas, adoçá-las e preparar a grama para a geada que vem pela frente. Para exercer suas doces funções, precisa derrubar folhas e vê-las pisadas e jogadas ao lixo todos os dias. Afinal, nas fotografias folhas caídas são lindas. No mais, incomodam. Precisam ser jogadas fora.
Como em um soprar de vento lá está o outono. Agora encolhido, nublado. Quer ficar só. Pensa que toda aquela empolgação não valeu de nada. Que o bom é seguir a vida sem aparecer. Ser a mais sozinha das estações pode ser bom. Deixar a neve do inverno, o sol do verão e as flores da primavera terem todo o trabalho traz um pouco de alívio. Assim, trabalha-se quietinho e muitas vezes passa até despercebido.

Há ainda os dias chuvosos de outono. Tanta reflexão e responsabilidade faz a estação chorar. Pode ser de cansaço apenas. Ou é o jeito de desabafar, introspectivo, sem deixar de ser dramático. Coisas do outono...
Mas é bom estar com o outono. É uma companhia amena, sem deixar de ser intensa. Há quem diga que é a melhor estação para dormir, ler um livro ou viajar.
É bom saber que o outono sempre chega. ...

Luisa Neves
Jornalista, mãe do Isaque e do Samuel, e que adora dia de chuva

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Quem eu sou? Quem tu és?


Certa vez fui convidada para um encontro de mulheres, desses com palestras e troca de experiências. Estava tudo muito bem, embora eu seja meio às avessas com encontros cuti cutis. Não, não estou de mau humor. É que a minha praticidade contraria algumas delicadezas.

Estava eu lá, pronta a participar do encontro e me perguntaram: "Como te apresento"? De imediato, respondi: "Meu nome é Luisa. Pode me apresentar assim mesmo".

Um tanto que perplexa, a pessoa, educadamente, respondeu que teria que mencionar meu cargo, formação, sei lá mais o quê. Tudo bem, porém eu ainda era (tardiamente) estudante de Jornalismo. Na hora, ajeitamos algo bonitinho para dizer. Acho que ficou a contento.

Bom, mas o que quero dizer é que somos mais do que aquilo que fazemos. Roubo esse pensamento de um artigo que li nesta manhã.  Leia no link abaixo, faz um favor. Depois não diz que fiz plágio.

Você não é o que você faz

Até quando seremos separados, vistos por aquilo que nos designa exteriormente. Claro que agricultor tem cabeça de agricultor, jornalista de jornalista, médico de médico. Insisto. Somos mais do que isto. Somos filhos de alguém, gostamos de abóbora (éca), fizemos maratona na Netflix, corremos todos os dias (quem dera), choramos à toa (eu, sempre).

Então, nada de perspectivas. O seu João da padaria nem sempre está feliz por acordar às 5h para amassar pão. Antes de ser padeiro, ele é o João que não sabe onde deixou a carteira ontem. Por isso, o mau humor logo cedo.

A Milene do xerox brigou com o namorado. Está de óculos escuros em plena luz do dia porque chorou. Não, ela não é sem noção.

O chefe. Ah! O chefe. Quem manda você ser o primeiro a aparecer na frente dele justamente quando recebeu um telefonema do laboratório pedindo que voltasse lá com urgência.

Sendo assim, não somos o que fazemos. Pelo menos, não só o que fazemos... Temos essência. Somos o que somos. Reservo-me o direito de ser o que sou. Claro, sem impôr meus defeitos aos meus amigos. Aliás, este assunto rende também. Mas não hoje. Quem sabe amanhã?

Luisa Neves, jornalista, casada com Lusardo e mãe de Isaque e Samuel. Tem ainda o Benjamin, o salsicha que dizem que é cachorro...


O tal brilho no olho

Já ouvi várias vezes a respeito da importância do tal brilho no olho. Tem que ter brilho no olho para isso e para aquilo. O brilho no olho é que define a motivação, a força de vontade e a disposição para trabalhar, fazer compras, etc e tal. É o que dizem.

Por birra mesmo ou talvez por esse meu senso crítico que me consome, muito mais autocrítico, não gosto da "cobrança"de que o olho tem que brilhar e brilhar. Não gosto porque não gosto. Ou porque meu olho nem sempre brilha mesmo que esteja entusiasmada com algo.

O tempo e a uva

Amooo o meu trabalho! Minha família é cuti cuti. Mas pronto, sou introspectiva. Falante, mas introspectiva. Vivo cada instante com profundidade, porém, atenta no que vem depois. Nem sempre (quase nunca) vibro para demonstrar felicidade. E olha que tenho muito a agradecer. Meu olhar lê o tempo todo. Leio lugares, leio conversas, leio ocasiões. Meu olho brilha de outro jeito.
A justificativa estaria muito linda se não fosse um detalhe: os outros. Esses que precisam ver em mim o brilho no olho. Confesso que ontem pedi a Deus que me desse o tal e bendito "brilho". Porque sem o brilho no olho parece que a gente está entupido, bravo, de má vontade.

Tudo bem que não estejamos sempre igual a torcida que vibra a cada vitória do time. Ainda assim, não dá para negar que com bom humor à volta o dia fica bem melhor. Mas, quem disse que sem "o brilho no olho" alguém está de mau humor?

É só chegar perto, puxar a cadeira, iniciar o assunto. Daí a gente vê que profundidade, alegria e motivação nem sempre estão aparente aos olhos. Estão guardadas no coração.

"E tudo o quanto fizer, faça de coração". Colossenses 3.23

sábado, 6 de maio de 2017

O tempo e a uva


Há quase dois anos não escrevo aqui. Nem percebi o tempo passar. Mas, isso é assim mesmo. O tempo é a coisa mais imperceptível que existe. Quando a gente vê "foi". Passou. É como fumaça. Cheiro forte. Densa. Sinal de fogo. Puf... acabou. E a gente nem lembra mais.

Você já parou para pensar em como tudo passa tão rápido? Um filme, uma música, uma viagem. E, quanto aos sentimentos? Pense nos motivos que nos fazem chorar. Olhamos para trás e percebemos o quanto desperdiçamos lágrimas por coisas que nem eram de chorar tanto. Naquele tempo o motivo era motivo, ora. Deixemos assim.

Então, voltamos para o hoje. Para os sentimentos de agora. Precisamos anotar, argumentar e dar valor. Acredite, vai passar. Amanhã você vai estar completamente arrependido de usar amarelo com marrom. Logo, outras cores virão para alegrar a sua vida e o verde com bolinhas roxas vai estar na sua moda. É como o sapato de verniz. Voltou. A gente não sabe se compra ou se espera passar a moda, ilesos dessa aquisição.

E as brigas? Desnecessáááárias. Sinceramente, quando vamos aprender a discordar sem romper relações? Deixar o tempo passar, fugir do calor da situação e responder depois. Para isto o tempo é amigão. A gente que ignora a deixa.

Hoje é tempo de repensar o tempo. Ele passa e nem nos avisa. A uva que o diga!

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Como não poderia ser de qualquer jeito, Ele chegou no meio da festa


Na jornada de escrever sobre o livro de Atos consegui a façanha de chegar ao capítulo 2. Notem que faz mais de um ano que comecei. L Vamos em frente! At 2. 1-13

Na Bíblia NVI (Nova Versão Internacional) o título do capítulo 2 é ‘A Vinda do Espírito Santo no Dia de Pentecoste’. Neste dia, os discípulos de Jesus estavam reunidos num só lugar. Parece redundante: ‘reunidos num só lugar’. Penso que Lucas já previa os tempos de internet, quando estamos reunidos, mas em lugares diferentes.

A Festa de Pentecoste era realizada todos os anos e tinha tudo para ser igual às outras. Mas não foi. De um lado turistas, crianças, curiosos. Tinha gente de muitos lugares diferentes. Pessoas leves, com o intuito de passear e sair da rotina. De outro lado, alguns homens aflitos, preocupados em cumprir uma missão. Não tinham entendido direito ainda o que aconteceu com o seu Mestre. Ainda degustavam os últimos acontecimentos.


Dias antes ceavam com Ele. Viram-no curar e ensinar como nenhum outro. Que voz era aquela que ao ecoar atraía milhares de pessoas? Viram-no perder a força e sufocar a eloquência nas chibatadas dos seus algozes. Dias depois, viram seu túmulo, vigiado pelas autoridades, vazio. O corpo de Jesus sumira. Não. Apenas voltou para o lugar – entre os Seus.

Neste contexto, alguém esperava ansioso para estar com a humanidade. O Espírito Santo. Sempre O imagino a correr de um lado para o outro no céu e insistir: “Pai, deixa-me descer”? Chegou a hora. Como não poderia ser de qualquer jeito, Ele chegou no meio da festa. “Causando” como dizem os jovens. “De repente veio do céu, um som, como de um vento muito forte, e encheu toda a casa”. Atos 2.2

Imagine a cena. Línguas de fogo vieram do céu sobre as pessoas. Objetos saíram do lugar. A música que dançavam passou a ser outra. Vozes terrenas começaram a se comunicar com anjos. Deve ter sido uma coisa extraordinária. Se aqui na terra, quando somos visitados pelo Espírito, ficamos como embriagados, imaginem na primeira vinda? Lucas nos conta que as pessoas ficaram atônitas e maravilhadas e perguntavam uns aos outros: “O que significa isso”? (Lc 2.12) Deve ter sido tudo! Aliás, foi tudo!


Sempre tem alguém na espreita, na tentativa de estragar a festa. O capítulo encerra com zombadores e incrédulos, mas não tem importância. No fundo eles sabiam que era a promessa da vinda do Consolador que se cumpria. Como acabou a festa? Não acabou. O Espírito Santo gostou tanto da recepção que ficou entre nós até hoje.

Dois pesos e duas medidas

Certa vez saí chateada de uma aula de Sociologia da Comunicação quando a professora nos explicou a origem e a cultura do “jeitinho brasileiro”. Expressões, ou melhor, atitudes como carteiraço, “não faz mal mentir um pouquinho, atrasar um pouquinho, enganar um pouquinho”, entre outros jeitinhos, viraram características do brasileiro.

A esperteza, acima da simplicidade do outro, desperta orgulho nos quatro cantos do país e a malandragem virou charme. Então, nos alarmamos com a corrupção no governo e nos sentimentos lesados pela desonestidade daqueles que deveriam atender as necessidades da população.
Bom. Não era sobre isso que eu ia escrever. Mas sobre algumas regras valerem para uns e não para outros. Sabe quando você pergunta: “Quanto é?” E alguém responde: “Pra quem é?” “Será que podes atender tal dia”? “Depende quem precisa de atendimento”. Todo mudo se incomoda quando algo precisa ser julgado e a sentença fica a mercê das personagens da situação e não da justiça. Mas, e se for conosco?

Usar dois pesos e duas medidas é qualificar uma situação de acordo com a conveniência dos interessados. A expressão vem dos comerciantes desonestos que usavam duas balanças e dois metros para negociar. 

A Bíblia critica este comportamento:“Não tenham na bolsa dois padrões para o mesmo peso, um maior e outro menor. Não tenham em casa dois padrões para a mesma medida, um maior e outro menor. Tenham pesos e medidas exatos e honestos, para que vocês vivam muito tempo na terra que o Senhor, o seu Deus, lhes dá. Pois o Senhor, o seu Deus, detesta quem faz essas coisas, quem negocia desonestamente.” Dt 25.13-16

Como brasileira, insisto em dizer que tem brasileiro honesto. Sim. Têm brasileiros que devolvem o troco, que assumem erros, que pagam as multas que mereceram, que lutam por igualdade, que não aceitam o que é do outro. Vivemos no mundo da indicação para o emprego, do ‘alívio’ das penalidades para os conhecidos, entre outros pesos e medidas diferenciados. Cabe a nos não nos conformarmos e, se possível, fazer soar o alarme.


Comigo não, violão! 

Luisa Neves

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Que tal se amar mais?

Hoje consegui fazer algo que me agrada muito. Caminhar cedo da manhã, com fones de ouvido cantarolando. Espero ardentemente que ninguém tenha me ouvido porque afinação aqui passou longe.

Parece simples pra você? Então aproveite. Minha agenda de acadêmica, pastora, estagiária e dona de casa tem me mostrado que dormir até às 6:30 da manhã é luxo puro. Sendo assim, caminhar meia hora é tudooo. Mas, vamos em frente.

Pensava então, na caminhada matutina, o quanto investimos no outro. Isto é bom, valorizar as pessoas e preservar amizades são virtudes. Quem tem amigo tem tudo, já dizia alguém. (Agora não vou conferir o nome do autor, talvez depois).

Sem negligenciar o valor que devo dedicar ao próximo, entendo que devo gostar mais de mim. Temos mania de valorizar nossos defeitos numa pseudo humildade e de achar que o mundo, coitado, tem que nos aguentar.

Caro amigo, não é bem assim. Tem algo em nós que não tem em nenhum outro ser humano. Tenha certeza disso. Ah, vocês já sabia? Perdoe-me a tardia conclusão, mas tenho que compartilhar o que descobri. 

Perto de nós tem pessoas que gostam da nossa companhia, que riem de nossas piadas sem graça, que nos esperam para contar alguma coisa que ninguém mais entenderia. Do jeito que você sorri, só você sorri. Do jeito que se expressa, só você. Ninguém arregala tanto o olho para contar algo como você. É sério!

Da mesma forma, quando choras, é inconfundível. E os dramas? Ninguém lhe supera. Por outro lado, quando algo bom acontece, sorri com as mãos, com os olhos e, pasme, até com a boca. Você é amável demais. Ninguém acha isso? Comece por você!

Enquanto caminhava, o Espírito Santo me dizia: "Você tem que estar onde lhe valorizam." Percebi na hora que o meu principal algoz sou eu mesma." Tenho amigos e uma família maravilhosa. Irmãos em Cristo que me acolhem em todos os momentos, inclusive, naqueles que nem eu me aguento.

Então, resolvi me apaixonar. Já sou uma pessoa apaixonada, dessas que se entregam e choram por tudo e todos que gosta. Agora, vou me apaixonar por mim um pouquinho e me apreciar. Vou me esforçar para me conquistar e sei que vai dar trabalho. 

Não vai ser nada fácil, mas paixão é assim mesmo, a gente se sacrifica. Tomara que eu não seja muito difícil de corresponder ao meu amor próprio. 


sábado, 23 de maio de 2015

Bia

Eu não sei de onde ela vem. Se vem de casa, do trabalho, da companhia dos amigos, da igreja...
Também não sei como foi o dia dela. Se passeou, se dormiu, se correu o dia inteiro...
Recuso-me a definir seu perfil. Acho que é organizada. Destas bem exigentes, que trabalha com prazo, os quais nunca perde, sempre se adianta.

A história dela? Desista. Nunca conversamos mais de 10 minutos seguidos. Deve ser de alguém que gosta de estudar, ler, se aperfeiçoar e que sempre amou a Deus. Ah, ela ama comer bem. Aliás, bom gosto é um de seus atributos. Não investiguei. É visível. Repare como se arruma, como escolhe seus amigos, como se comporta.

Acho que a Bia nunca chora. A não ser que ela chore sorrindo. Tem gente que é assim. Seus dias difíceis são guardados entre ela e Deus. Nunca a vi reclamar. Exigir sim. Que diga sua 'equipe' em cada evento que organiza. Eu, com o meu imediatismo passo longe. Não é medo, é respeito. Que fique bem claro. :)

A Bia é de uma prontidão inigualável. Quando a gente pensa, ela já fez. Não a vejo reclamar, pestanejar ou achar algo difícil de fazer. "Bora, Lulu. Damos um jeito". Basta ouvir isso e as coisas caminham. Sabe, eu acho que ela usa palavrinhas mágicas. Ou é espírito de liderança mesmo.

Confiável. Motivadora. A Bia investe nas pessoas. Investe com o olhar. Não falo de um investimento material ou expectativas depositadas. Ela vê as pessoas como elas são e faz de cada uma importantes em algum sentido. Não sei explicar isso, mas é assim, acredite. Até eu me sinto importante perto dela.

Bia é amiga. Os amigos gostam de estar com ela. Basta reparar no bolinho que se forma ao seu redor. E quem pode esquecer dos pratos que ela posta (no meu caso só posso dizer que vejo) nos encontros com os amigos? Cada amigo tem uma particularidade para a Bia, um nome carinhoso, uma característica. Ressalto ainda que, apesar de exigente, ela defende os que ama com unhas e dentes.

Honesta, inteligente, sincera (e como!). Melhor assim, né? Beeeem melhor. Em comum com a Bia? O amor a Deus e ao chimarrão. Sinto-me pequenininha perto dela. Sua grandeza vem de dentro, não é física. É isso. Seu sorriso me convence que a Bia nunca chora.

Se chora, o faz sorrindo. A Bia chora sorrindo. É isso.



domingo, 3 de maio de 2015

Do crescimento


Ele acontece todo os dias, o dia todo.
Quando se dorme, quando se está acordado.

Tem gente que diz que crescer dói.
Outros dizem que cresceram tão rápido que nem viram.
Neste caso não deve ter doído. Não muito.






Há quem cresça com a dor. Com as pancadas da vida.
Outros crescem sorrindo. De tudo tiram uma gargalhada.
Choro só por dentro. Choro faz crescer.

Criativos crescem fazendo arte.
Intelectuais insistem que só há crescimento no meio dos livros.
Pais juram que os filhos nunca crescem.
Filhos querem crescer antes do tempo. Sem ser a hora.

Críticos bradam que o julgamento é agente de crescimento.
Jesus cresceu em estatura, em graça, em conhecimento.
Tem gente que demora a crescer.
Tem gente que não cresce.

Eu? Escolhi crescer.
Se é questão de escolha?
Não sei.
Há de se crescer para responder.
Estou crescendo.
Por Luisa Neves que teima em crescer.

domingo, 19 de abril de 2015

Da contemplação

Procurei no dicionário o significado da palavra contemplação. Confesso que achei as definições um tanto rasas: ação de contemplar, concentração do espírito para assuntos intelectuais e religiosos.Eu já queria descrever a palavra da seguinte forma: parar tudo e aproveitar o momento.



Você não percebe o quanto corre e perde o principal da vida.  Sabe quando assiste um filme e dá uma cochilada e ao acordar perdeu o ápice da história? Eu sei o que é isso. Sempre durmo quando vejo filmes. É desta forma que temos passado por esta vida. Perdendo o privilégio da contemplação.

Se estamos em casa, pensamos em como seria estar no trabalho. Se estamos no trabalho não conseguimos nos concentrar porque gostaríamos de estar em casa. Se viajamos sentimos falta de casa. Quando em casa, desejamos ardentemente viajar.

Dia após dia. Sempre assim. Uma inquietação. Pressa. Vontade de estar e logo vontade de fugir. Não sentimos o sabor do sorvete, se é de ameixa ou passas ao rum, porque temos que correr para a fila do banco. Se vai tomar o sorvete, faça só isso. Quando estiver na fila, aproveite o momento para cantarolar (baixinho, é claro) uma canção que goste.

Contemple o chimarrão com a mãe. O café com os filhos à volta da mesa. Concentre-se nos momentos com Deus. Pinte as unhas com calma. Na academia, esqueça o celular. Ao conversar, olhe nos olhos. E, no próximo filme, não durma. Contemple.

Luisa Neves
#naoconsigopararquieta #voutentar

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Cancele o sorteio, Senhor. Quero ser tua testemunha nesta geração.




"Porque", prosseguiu Pedro, está escrito no Livro de Salmos: Fique deserto o seu lugar, e não haja ninguém que nele habite; e ainda: Que outro ocupe o seu lugar. Portanto, é necessário que escolhamos um dos homens que estiveram conosco durante todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu entre nós, desde o batismo de João até o dia em que Jesus foi elevado dentre de nós às alturas. É preciso quem um deles seja conosco testemunha de sua ressurreição. Então indicaram dois nomes: José, chamado Barsabás, também conhecido como Justo, e Matias. Depois oraram: "Senhor, tu conheces o coração de todos. Mostra-nos qual desses dois tens escolhido para assumir este ministério apostólico que Judas abandonou, indo para o lugar que lhe era devido. Então, tiraram sortes, e a sorte caiu sobre Matias; assim, ele foi acrescentado aos onze apóstolos. " At 1.20-26

     Desde que conheci Jesus, resolvi servi-lo com inteireza de coração. Como disse o pastor Luciano Subirá, o qual é uma inspiração, não só para mim, mas para o mundo, no que consiste em sabedoria, conhecimento e graça na pregação do Evangelho na atualidade, "não sei se Deus me chamou ou se eu me ofereci". Peguei essa expressão pra mim (perdoe-me o autor), já que estou sempre pronta para servir na casa do Senhor.



     Não digo isso para me exaltar, mas para testemunhar a respeito de plantar aqui para colher na eternidade. Não sirvo a Deus por seus milagres ou pela honra que alguém pode dedicar a mim. Sirvo-o por amor e por ser grata a alguém que me ama incondicionalmente. Na verdade, servir a Deus é um privilégio e não uma obrigação. Ir à casa do Senhor jamais pode ser visto como um rito e sim como um momento de encontro com Àquele que espera por nós em todo o Tempo. Ok, eu sei que não precisa ir à Igreja para encontrar o Senhor, mas esta ainda simboliza à casa d'Ele e é na Igreja que vamos com um único propósito, adorar, falar com Deus e ouvi-Lo.. Bom, pelo menos 'deveria' ser assim.

     Judas perdeu o seu lugar na casa de Deus, no serviço do Reino. Eu não quero perder! Quero e preciso que o Senhor conte comigo para estabelecer o Seu Reino. Já pensou ter que sortear alguém para colocar em meu lugar porque eu não quis mais servi-Lo? Espero que isso nunca aconteça. Não que eu seja insubstituível, longe disso. Há inúmeras pessoas muito mais qualificadas para servir a Deus com excelência, porém sei que poucas estão 'dispostas e disponíveis', como diz o meu marido.  diferença está no amor e no desejo de fazer algo para o Senhor.

      Tenho convicção de que se eu não dedicar minha vida a serviço do meu Rei, Ele levanta outro em segundos. Além disso, não posso me exaltar por frequentar uma Igreja, isso é o mínimo que alguém que ama a Deus pode fazer.  Quero ser testemunha da ressurreição, ver a Igreja subir, meu Rei ser exaltado, os mártires da fé respirarem fundo por saber que valeu à pena o sacrifício. Quero falar do amor de Deus nesta geração, ver o nome da minha família e amigos no Livro da Vida, cantar com os anjos no céu. Não Senhor, não ponha outro em meu lugar. Cancele o sorteio. Vou Te servir mais, pois estar contigo é o meu anseio.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Íntimo, traiu


"Naqueles dias Pedro levantou-se entre os irmãos, um grupo de 120 pessoas, e disse: "Irmãos, era necessário que se cumprisse a Escritura que o Espírito Santo predisse por boca de Davi, a respeito de Judas, que serviu de guia aos que prenderam Jesus. Ele foi contado como um dos nossos e teve participação neste ministério." (Com a recompensa que recebeu pelo seu pecado, Judas comprou um campo. Ali caiu de cabeça, seu corpo partiu-se ao meio, e suas vísceras se derramaram. Todos em Jerusalém ficaram sabendo disso, de modo que na língua deles, esse campo passou a chamar-se Aceldama, isto é, campo de sangue.) At 1. 15-19


     Desde o dia que recebi a Palavra da Salvação (não gosto de dizer 'desde o dia que me converti' porque penso que ainda estou no processo de conversão, até o último dia) aprendi que o pecado me separa de Deus. Assim, luto contra a minha vontade, egoísmo, vaidade, ira, intolerância, murmuração, entre outras coisas, todos os dias. Se tem uma coisa pela qual anseio, é por conhecer a Deus e passar a eternidade com Ele, para isso me esforço. Poderia fazer mais, mas tenho tentado agradar ao meu Senhor.

        Mas o que tem a ver Judas com isso? Judas, o traidor, um dia foi o irmão Judas. Homem de confiança de Jesus, afinal, era o seu tesoureiro. Mas alguma coisa aconteceu na caminhada que mudou o seu destino. O coração se corrompeu! Ah, o coração. Bem disse o profeta que este é enganoso e perverso. Pois é. Judas aceitou propina, suborno, sei lá, não conheço bem esses termos, e entregou Jesus aos que procuravam matá-lo. Os discípulos devem ter ficado boquiabertos com a situação. "Não se falava em outra coisa em Jerusalém... Judas, quem diria? O Mestre o amava, confiava nele.

           Não sei os motivos de Judas. Necessidade? Ambição? Queria um dinheiro para viajar com a família? Trocar de camelo? Despesas com doença? Talvez ele pensou que entregaria Jesus, receberia o dinheiro e não daria em nada. Afinal, Jesus se livraria da morte de alguma forma. Tinha ciência da divindade do seu Senhor. E mais: No final de tudo, receberia perdão. Não obstante às profecias de que Jesus seria traído por um deles, Judas corrompeu o coração no processo. Íntimo, traiu. Bom, a traição acontece nos relacionamentos mais íntimos, por isso dói mais.

             Nunca li a respeito teologicamente, mas tenho uma opinião a respeito da morte de Judas. Jesus, quando ressuscitou, dedicou m tempo para recuperar o apóstolo Pedro, antes que subisse para o Pai. Porém, na situação do Iscariotes, Ele estava na cruz, separado de Deus, embebido do pecado da humanidade, cheio de dor, morrendo para nos salvar. Neste ínterim, quando clamou, "Deus meu, Deus meu, por que me abandonastes", demônios atormentaram Judas até que ele tirasse a própria vida. Covardia, eu sei, mas foi isso. Se Jesus salvou o ladrão da cruz, certamente livraria o discípulo em questão.

              Tal fato me ensina a respeito do cuidado com o coração na caminhada de fé. Este é sensível, complicado e cheio de razões. Por exemplo, em uma situação de impasse entre eu e você, nossas razões são distintas, mas são as nossas convicções. Bom, isso é outra coisa, falemos depois. Há inúmeras razões para largarmos tudo para o alto, a vida não está fácil. Somos colocados a prova todos os dias. Porém, antes de julgarmos Judas, pensemos se realmente agiríamos diferente dele... ai, ai, ai. Vejo pessoas 'vendendo' a fé, trocando a graça por prazeres momentâneos, negando Jesus perante a sociedade para não perder os amigos, dando razão àqueles que zombam sem piedade da Palavra de Deus, fazendo concessões para ganhar pontos com a maioria. E nas igrejas, essas mesmas pessoas, enchem a boca para falar mal de Judas, o traidor.

                 Não defendo Judas! Apenas entendo que sua atitude o partiu ao meio, suas vísceras foram derramadas, sua vida se esvaiu, como tem acontecido com inúmeros cristãos, ou quem sabe, apenas frequentadores de igrejas. Assim como aconteceu com Ele, há um tempo determinado para a redenção de pecados. Não me pergunte, não sei qual é. Deus nos deixou o caminho, mas preferiu deixar a data em aberto. Está entre as surpresas reservadas pelo Pai. Teve que ser Judas, mas poderia ser um de nós. Não estamos livres da influência do mundo, da carne e do diabo, resta saber quem nos influencia, estes ou o Espírito Santo. A quem ouvimos mais? Não traia Jesus! Siga em frente!

                       Está na hora da Igreja mostrar a força que tem!




    

sábado, 22 de março de 2014

Oremos, todos os dias, até a vinda de Jesus




“Então eles voltaram para Jerusalém, vindo do monte chamado das Oliveiras, que fica perto da cidade, cerca de um quilômetro. Quando chegaram, subiram ao aposento onde estavam hospedados. Achavam-se presentes Pedro, João, Tiago e André; Filipe, Tomé, Bartolomeu e Mateus; Tiago, filho de Alfeu, Simão, o zelote, e Judas, filho de Tiago. Todos eles se reuniam sempre me oração, com as mulheres, inclusive Maria, a mãe de Jesus, e com os irmãos dele.” At 1.12-14

      As coisas começam a fazer sentido para os discípulos de Jesus. O que eram apenas promessas, tornam-se fatos. “Vigiem, nem sempre estarei aqui.Vou preparar lugar vocês, mas volto logo...”



       Parecia que tudo isso ia demorar, mas chegou a hora. Agora são os seguidores do Mestre, mas sem o Mestre, pelo menos fisicamente.

        Devemos refletir sobre as promessas que são para nós, Igreja. Não são diferentes. “Preparem-se, vigiem, vivam em santidade. Assim como disse a Pedro e aos outros que subiria ao Pai, digo a vocês que voltarei para buscá-los.”

        E nós, como Tiago, João e os outros, ignoramos as promessas. Será que teremos o direito de questionarmos se formos pegos de “surpresa”?

       Certa vez ouvi do pastor Luciano Subirá em uma pregação, via internet. “Devemos fazer planos como se Jesus fosse voltar daqui a 50 anos. Porém, devemos viver em santidade como se Ele voltasse daqui a 5 minutos.”

       Maria, mãe de Jesus, uniu-se aos discípulos para orar. Imagino as palavras dela aos irmãos do Senhor: “Venham meus filhos, oremos. Seu irmão foi preparar lugar e logo vem nos buscar.”

         Assim, todos eles se reuniam sempre em oração...
#ficaadica

Luisa Neves

segunda-feira, 10 de março de 2014

“Te ouvir, Te conhecer, é a maior riqueza que um homem pode ter, Jesus”



    Parafraseando a música de Davi Sacer começo o meu dia. Tivemos a oportunidade, como igreja, de sermos ministrados pelas canções deste servo de Deus e, não tem como não refletir sobre este momento. Desfrutar da presença de um servo de Deus é mais do que tietagem, é reconhecer que o Senhor separa algumas pessoas para levar o Brasil a reconhecê-lo por meio de músicas, pregações, testemunhos, etc.

         Por isso, louvo ao Senhor pela vida da Ana Paula Valadão, Juliano Son, Antônio Cirillo, e outras centenas de pessoas que tem percorrido o mundo para levar com excelência a palavra de salvação a quem não tem a alegria da intimidade com o Espírito Santo. Ficamos sim, sob o efeito da graça do Espírito ao sermos ministrados por vasos de honra, assim como ficamos chamuscados pelo mau testemunho de muitos que usam a mídia para “evangelizar”.

         Indescritível era minha alegria ao receber Davi Sacer na Igreja, no dia 6 de março. Éramos só risos, eu, e todos que estavam ali. Ele, humilde, solícito, tirou fotos com todos que pediram, deu abraços, conversou, e, por cordialidade, tomou chimarrão. Não sei se gostou, mas foi educado, tomou até “roncar” a cuia, como recomendamos.



         Mas o que quero dizer desde o começo deste texto é o quanto Deus é bom e atencioso com as nossas necessidades. Sei que se ouvisse os testemunhos das centenas de pessoas que estiveram no culto com Sacer, todos teriam maravilhas para contar. Comigo não foi diferente. Alguns dos meus questionamentos foram cuidadosamente tratados naquela noite.

         Ao buscarmos uma profissão seja no começo, meio ou fim da caminhada, somos instigados a abrir mão de algumas coisas. Ou seja, até que ponto devo usar meu dom ou capacidade fora do corpo de Cristo? Na mídia, se quiser alcançar “alguma coisa” é recomendável desvincular a imagem de qualquer instituição, seja ela política ou religiosa. Este é o conselho que tenho recebido.

         Não que eu tivesse dúvida quanto a isso, mas preciso deixar acertado com Deus o que Ele quer pra mim. E, por intermédio do testemunho de Davi Sacer, o Senhor sinalizou algumas coisas, entre elas, é que devemos abrir mão dos nossos sonhos para viver os sonhos dEle. Esta também é uma grande diferença entre os que amam e os que não amam a Deus de todo o coração.

         A grande maioria das pessoas busca a Deus ou a religião porque pensam que assim vão “conquistar” as coisas deste mundo. Concordo que Ele honra seus filhos, como fez com José no Egito, mas isto é uma resposta a quem dispõe honrá-lo com sua vida, independente da situação. Por que nos cristãos insistimos em buscá-lo por aquilo que Ele pode dar ou fazer? Não é esse o caminho!

      Deus busca pessoas que vivam para fazê-lo conhecido por seu amor e misericórdia. Milhares de pessoas morrem todos os dias sem saber que Jesus deseja lhes dar vida em abundância. Assassinatos, suicídios, abandonos e toda espécie de males destroem famílias no mundo inteiro porque estamos mais preocupados em “conquistar” coisas pra nós do que pra Ele.

         Pensemos!
        
        
        
    







quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Ler. Prazer ou obrigação?

Há quem diga que a leitura é uma questão de hábito e que deve ser estimulada desde a tenra idade. Os pais devem espalhar livros por toda a parte, para que os filhos convivam com naturalidade com imagens e textos, afinal, ler é imprescindível para quem deseja destacar-se na sociedade. Mas será que podemos considerar a leitura como um costume ou é uma questão de gosto? Qual seria a quantidade de leitura necessária para alguém ser considerado culto? Qualquer leitura vale? Os livros influenciam no comportamento das pessoas?

Pode-se dizer que as pessoas só desenvolvem hábitos com atividades que lhes dão prazer, mas não é bem assim. Muitas vezes, tem que se repetir um ritual por obrigação, como a atividade física, por exemplo. Desta forma, a leitura pode ser obrigatória em muitos lares, por necessidades intelectuais. Ler muito é válido, porém a seleção de assuntos diferencia o desenvolvimento do leitor. Há quem leia só para entretenimento, enquanto que outros leitores invistam mais em livros técnicos, tais preferências influenciarão no comportamento destas pessoas.

E o gosto pela leitura? Aquela vontade de ficar sozinho com o livro e torcer para ninguém chegar perto, tampouco puxar um assunto? Para estes, pouco importa o estilo, geralmente gostam de vários gêneros. O que importa mesmo é o prazer da companhia do volume escolhido. Os amantes da leitura não investem apenas o tempo, mas também suas finanças e emoções ao se entregarem às histórias, romances, contos e poesias que os livros lhes proporcionam.

Enquanto que, para uns a leitura é obrigação, para outros ela dá sentido à vida. Pessoas assim, quando viajam, chegam a todas as livrarias possíveis e não conseguem passar por bancas de revistas sem adquirir um exemplar. São assinantes de vários jornais, colecionam informativos e, o cômodo mais interessante da casa é a estante de livros, isso quando não têm uma farta biblioteca para exibir aos amigos.

A leitura deve ser incentivada por pais e professores. Seja por obrigação ou por prazer, sempre trará benefícios ao leitor. Porém, quem ama livros nunca está sozinho, tem companhia certa, independente da variação de humor, situação financeira ou aparência física. Aliás, eles têm assuntos específicos para cada situação, a questão é saber escolher. Boa leitura!
Luisa Neves